A magia do queijo Canastra

1


              
            É muito provável que você já tenha, pelo menos, ouvido falar do queijo Canastra. Ele já é considerado um patrimônio cultural imaterial brasileiro porque traz as marcas de uma culinária portuguesa muito antiga que se adaptou muito bem à realidade natural da região onde se encontra o parque nacional da Serra da Canastra.

            A Canastra é dona de uma exuberante natureza na qual o cerrado, as cachoeiras e as ricas fauna e flora são os protagonistas. Ela é composta por sete municípios, entre eles: Capitólio, Delfinópolis, Sacramento, São Batista do Glória, São Roque de Minas, Tapiraí e Vargem Bonita.

            Com muito trabalho de alguns produtores de queijo por meio da Associação de produtores de queijo minas artesanal da Canastra (Aprocan), liderados por João Carlos Leite, o queijo da Canastra, o famoso laticínio feito de leite cru, foi reconhecido no mercado por ter sido regularizada a sua fabricação.

Esta vitória agregou muito valor para a região do queijo maturado artesanalmente cujo processo é bem delicado para se chegar à qualidade, que resultou em alguns prêmios internacionais, conquistados, em Tours, na França, no concurso Mondial du Fromage et des Produits Laitiers (Global de Queijos e Produtos Lácteos). Esse concurso reúne mais de 700 produtores de 20 países.

            É importante diferenciar as cidades que ficam dentro do parque nacional da Serra da Canastra, daquelas que estão por perto, ou seja, a região do queijo Canastra possui outros municípios que, embora não fiquem exatamente na região do parque, localizam-se próximos a ele e , por isso, possuem as condições ideais para a fabricação do queijo. São elas: Bambuí, Medeiros e Piumhi.  Os municípios de  São Roque de Minas, Tapiraí, Vargem Bonita e Delfinópolis são os produtores de queijo que estão dentro dos limites da Serra.

            Para que houvesse o reconhecimento nacional e internacional, foi preciso uma cultura da cooperação por meio da associação que oferecesse um conjunto de medidas que ditassem o processo de alta qualidade e isso envolve desde a ordenha que transmite o leite por um duto até a modernização das instalações.

            Foi desse modo que o turismo cresceu. Agora ele oferece o circuito das cachoeiras e a rota do queijo.  Todos ganham com isso! O turista que, além das questões naturais, conhece mais sobre a gastronomia local, e o produtor que vê um produto considerado irregular até pouco tempo, subir numa escala de valores porque impôs mais qualidade a ele.

            Atualmente, a região possui aproximadamente 800 fabricantes, mas desse número, por volta de 60 são associados à Aprocan. Isso se deve por conta da rigidez das regras. Por outro lado, os queijos certificados são mais bem valorizados. Enquanto um produtor não-associado vende uma peça por R$ 12,00/R$15,00, para atravessadores, um produtor certificado distribui o seu queijo por valores acima de R$50,00.

Leia também

© 2018 MORADAS DA SERRA . TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.